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Polícia Civil desarticula esquema de sonegação fiscal que causou prejuízo de quase R$ 56 milhões aos cofres públicos

Investigação revelou organização criminosa que simulava operações no agronegócio para gerar créditos fraudulentos de ICMS

24/03/2026 às 17h27
Por: REDAÇÃO
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Polícia Civil desarticula esquema de sonegação fiscal que causou prejuízo de quase R$ 56 milhões aos cofres públicos

A Polícia Civil do Tocantins, por meio da Divisão Especializada de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DRCOT), com apoio da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz/TO), desarticulou, nesta terça-feira, 24, um esquema estruturado de sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de capitais que causou prejuízo de mais de R$ 55,9 milhões aos cofres públicos estaduais.

A ação faz parte da Operação El Dourado, que revelou o funcionamento de uma organização criminosa especializada na simulação de negociações milionárias no setor do agronegócio, especialmente com grãos como soja e milho, por meio da emissão de notas fiscais irregulares para geração de créditos fraudulentos de ICMS.

As investigações apontaram que o grupo constituía empresas de fachada, conhecidas como noteiras, utilizadas para forjar operações comerciais inexistentes. Em apenas seis meses, uma das principais empresas investigadas declarou movimentação superior a R$ 464 milhões, mas recolheu apenas R$ 39 mil em tributos.

Para ocultar os verdadeiros responsáveis, a organização utilizava pessoas em situação de vulnerabilidade socioeconômica como laranjas. Esses indivíduos eram inseridos como sócios de empresas constituídas como sociedades limitadas unipessoais, com capitais sociais declarados de até R$ 10 milhões, integralizados de forma fictícia.

A investigação também identificou uma estratégia de sucessão empresarial fraudulenta. Sempre que a Secretaria de Estado da Fazenda detectava irregularidades e bloqueava a inscrição estadual de uma empresa, o grupo ativava uma nova companhia para dar continuidade às atividades ilícitas.

As diligências realizadas pelas equipes policiais demonstraram que as empresas operavam sem estrutura compatível com o volume declarado. Em um dos casos, a sede funcionava em um espaço de 24 m², contendo apenas uma mesa, uma cadeira e um notebook, sem qualquer indício de atividade real no setor agropecuário.

Em depoimento, ex-funcionárias relataram que foram contratadas apenas para manter o local aberto e dar aparência de legalidade ao empreendimento, sem que houvesse estoque, maquinário ou qualquer operação comercial efetiva.

As investigações também revelaram que a emissão das notas fiscais fraudulentas era realizada de forma remota. As funcionárias eram orientadas a instalar softwares de acesso remoto, permitindo que os líderes da organização controlassem os computadores a partir de outras localidades, simulando operações realizadas no Tocantins.

Identificado como principal responsável pelo esquema, o indivíduo de iniciais R.A.G.M., de 29 anos, exercia o controle das operações a partir da cidade de Unaí/MG. Já o contador P.C.M.S., de 31 anos, atuava como braço operacional e financeiro, sendo responsável pela gestão das empresas e pela movimentação logística do grupo.

Diante das provas, a Polícia Civil representou pela prisão preventiva dos investigados e pelo cumprimento de mandados de busca e apreensão, com o objetivo de interromper as atividades criminosas.

Um dos dois mandados de prisão preventiva foi cumprido em Unaí/MG, em desfavor de R.A.G.M.; e outro, contra P.C.M.S, segue em aberto e as buscas por ele continuam. Durante as diligências, outras duas pessoas foram presa em flagrante pelo crime de porte ilegal de arma de fogo.

Também foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão, sendo dois em Unaí e quatro em Palmas, ocasião em que foram apreendidos documentos, equipamentos eletrônicos e computadores.

A investigação, iniciada a partir de representação fiscal elaborada pela Superintendência de Fraudes Fiscais Estruturadas da Sefaz/TO, contou com o apoio da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Decor), do Grupo de Operações Táticas Especiais (Gote), da Polícia Civil de Minas Gerais, além de núcleos especializados da Polícia Científica, envolvendo aproximadamente 30 profissionais, entre policiais, peritos e auditores fiscais.

“Essa investigação demonstra o grau de sofisticação das organizações criminosas que atuam contra a ordem tributária e reforça a importância da atuação integrada entre Polícia Civil e os órgãos de fiscalização para proteger os cofres públicos e garantir a concorrência leal no mercado”, finalizou o titular da DRCOT, delegado Vinícius Mendes de Oliveira.

Investigação também identificou uma estratégia de sucessão empresarial fraudulenta - Divulgação PC/TO
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